A dois meses da inauguração da primeira fábrica do Brasil que vai produzir em larga escala plástico à base de etanol, da Braskem, empresas brasileiras se preparam para lançar comercialmente produtos com a nova matéria-prima. A fábrica da petroquímica em Triunfo, no Rio Grande do Sul, terá capacidade para produzir 200 mil toneladas do bioplástico por ano.
No setor de cosméticos, a Natura já planeja um selo para identificar que a embalagem do refil do sabonete cremoso de erva-doce, vendido a partir de outubro, será 100% de resina de cana.
Apesar de existirem outros tipos de bioplásticos no mercado - como o feito à base de milho -, essa é a primeira experiência da Natura com resina verde.
“Isso porque os materiais disponíveis não tinham a mesma resistência física que o plástico derivado de petróleo. E o de cana tem”, diz Victor Fernandes, diretor de desenvolvimento de produtos e de embalagens da empresa.
Reciclagem – O plástico de etanol pode ser reciclado da mesma forma que o de petróleo. Isso não acontece, entretanto, com o plástico de milho, que é biodegradável. “Assim, o plástico de milho se torna um problema no momento do descarte, já que o Brasil não tem uma indústria de compactação de resíduos desenvolvida para aproveitar o material biodegradável”, diz Teddy Lalande, coordenador de sustentabilidade da Dixie Toga, fabricante de embalagens.
Lalande afirma que, depois de utilizado, o plástico de milho acaba indo para um aterro comum. “Lá, sem o tratamento adequado, o produto sofre uma rápida decomposição e libera na atmosfera gás metano (CH4), 20 vezes mais prejudicial que o carbônico (CO2) em relação ao efeito estufa”.
Braskem diz que tecnologia alavanca o País – O desenvolvimento da química verde e a eficiência do Brasil na produção de fontes renováveis pode reduzir um dos gargalos da indústria química brasileira: a falta de investimento em tecnologia.
Em entrevista, o presidente da Braskem, Bernardo Gradin, diz que o interesse crescente pelo uso de matéria-prima renovável para a produção de resinas, em substituição aos derivados do petróleo, pode levar o País a uma posição de destaque.
Acredito que o País será líder na química renovável e que possa aparecer para o mundo não só como líder, mas como parte da solução global.
A Braskem desenvolveu o plástico verde a partir da demanda. Recebemos propostas para parcerias com países, empresas, organizações e institutos de pesquisa. É uma oportunidade para a indústria química brasileira se reinventar em tecnologia.
(Fonte: Folha de S. Paulo)








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