O membro da diretoria da Anpei e coordenador da X Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, Mario Barra, aborda a relação entre os conceitos de inovação, sustentabilidade e cooperação, que será discutida no evento que a entidade promove de 26 a 28 de abril em Curitiba (PR). Leia o artigo na íntegra:
As imagens do sofrido povo haitiano deixam profundas marcas em nossos corações e mentes. São testemunhos do quanto é difícil a vida dos 4 bilhões de seres humanos deste planeta, população excluída da economia formal, que sobrevive com menos de 3 dólares por dia. Nossa referencia é sempre os (apenas) 800 milhões que ganham mais de 15.000 dólares por ano. Completando a população mundial de 6,3 bilhões, existe o segmento dos que vivem na classe emergente, ávidos por ascender a padrões razoáveis de bem estar.
Se para atender a essa demanda reprimida produzirmos sem sustentabilidade, não sobrará planeta. Precisamos mudar radicalmente o modelo atual, aprendendo a produzir mais com menos, sem agredir o meio ambiente. Para tanto, é preciso inovar, atribuição especifica das empresas, já que é através delas que o conhecimento é concretizado em produtos que atendem necessidades e melhoram a qualidade de vida dos consumidores.
O tamanho do desafio é imenso, pois além da inclusão de 2/3 da população mundial, será preciso atender ao seu aumento projetado para 10 bilhões, em 2050. Para medir o salto tecnológico e as inovações necessárias, devemos considerar o impacto ambiental como diretamente proporcional à população, ao patamar de consumo e à tecnologia usada. Considerando cada variável: a menos do surgimento de uma pandemia, a tendência é a população mundial crescer, o consumo é a medida direta da melhoria do padrão de vida, aspiração natural da população que vive na base da pirâmide. Dividindo os 25 trilhões de dólares dos 7 milhões de milionários, sobrarão 6.000 dólares para cada um dos excluídos, o que é bom, mas não resolve. A única saída é, ao invés de dividir os peixes, aprender a pescar mais e melhor, pela via da inovação tecnológica. Na escala requerida, iniciativas pontuais não darão solução ao problema. Só a mega escala de uma explosão de inovações tecnológicas, partindo da mobilização e engajamento da indústria, dará condições para criação de uma massa critica necessária para alcançar a dimensão da resposta requerida.
Segundo Stuart Hart, palestrante internacional convidado para a próxima X Conferencia ANPEI – Associação Nacional das Empresas Inovadoras, a atividade econômica precisa ser multiplicada por dez para atender as necessidades da população projetada. Só energia é responsável por 25 % das emissões de gases efeito estufa. Se essa geração for multiplicada por dez, não haverá planeta que sobreviva a tal poluição. Só inovação tecnológica e que de fato agrega valor, fruto do conhecimento muitas vezes já disponível, resolve e precisa ser multiplicada por vinte para amenizar o impacto ambiental, segundo Hart e será a maior oportunidade de mercado para as empresas inovadoras conclui o autor.
Para citar só um exemplo, iluminação por LED precisa quase dez vezes menos energia para se obter o mesmo efeito de uma lâmpada incandescente. Porque, então, não é usada? A resposta é: pela forma como a sociedade valoriza os produtos - titulo do ultimo livro de Hart “Capitalismo na Encruzilhada” - e pela falta de difusão do conhecimento via inovação tecnológica. Esse é o terceiro tema proposto pela ANPEI, a gestão da inovação nas empresas e a eficiência da cooperação externa e interna alcançada. Essa pratica será demonstrada e incentivada pelos exemplos do muito que já vem sendo feito pelas empresas inovadoras, através da apresentação de estudos de casos. Daí o título do evento da ANPEI, que ocorrerá na FIEP-CIETEP, em Curitiba, de 26 a 28 de Abril: “Cooperação para Inovação Sustentável”.
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Mario Barra é membro da diretoria da Anpei e coordenador da X Conferência Anpei de Inovação Tecnológica.








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